Porquê boicotar a Mekorot?

 1. A Mekorot gere um sistema de apartheid da água:

A Mekorot tem sido responsável por violações e discriminações no direito à água desde a década de 1950, quando construiu a rede nacional de água israelense, que está a desviar o rio Jordão da Cisjordânia para servir as comunidades israelenses. Ao mesmo tempo, ela priva as comunidades palestinas da possibilidade de acederem à água:

O consumo palestino nos territórios ocupados é de cerca de 70 litros diários por pessoa – bem abaixo dos 100 litros per capita diários recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) – enquanto o consumo diário per capita israelense, de cerca de 300 litros, é quatro vezes mais elevado.

A Mekorot recusou fornecer água às comunidades palestinas dentro de Israel, apesar de a decisão judicial de um tribunal superior israelense ter reconhecido o seu direito à água.

Um relatório parlamentar francês chamou a estas políticas apartheid da água.

 2. A Mekorot é um suporte vital para o empreendimento ilegal da colonização: 

O apoio da Mekorot à ocupação colonial tem continuado desde a ocupação da Cisjordânia, Gaza e Montes Golã em 1967. A empresa monopolizou o controlo sobre as fontes de água nos territórios ocupados, implementando políticas que reforçam os colonatos israelenses à custa das comunidades palestinas.

O relatório das Nações Unidas da missão internacional independente de inquérito sobre as implicações dos colonatos israelenses nos direitos do povo palestino, assim como o último relatório sobre os colonatos do secretário-geral das Nações Unidas, denunciam o papel da Mekorot na expansão dos colonatos.

Qualquer cooperação com a Mekorot beneficia automaticamente ou contribui para a criação dos colonatos, ilegais. A empresa pública de água holandesa Vitens declarou: “Tanto o conhecimento sobre a extracção da água como sobre os lucros se pode conseguir com redes inteligentes, nada disto pode ser separado do que a ONU escreve sobre a política da Mekorot (*) com relação aos territórios palestinianos e aos colonatos.”

3. A Mekorot participa no crime internacional de pilhagem dos recursos naturais e de destruição gratuita da infraestrutura de água:

A Mekorot faz funcionar uns 42 poços na Cisjordânia, sobretudo na região do Vale do Jordão, que abastecem essencialmente os colonatos israelenses.

A Mekorot trabalha em estreita parceria com o exército israelita, confiscando tubos de irrigação aos agricultores palestinos e destruindo as fontes de água que abastecem as comunidades palestinas. Só em 2012, o exército israelense demoliu 60 estruturas de água e de saneamento pertencentes a palestinos.

4. A Mekorot nega aos palestinos o direito humano à água como um instrumento para a política israelense de deslocação de populações:

No verão, a Mekorot, escoltada pelo exército, fecha a torneira nas comunidades palestinas da Cisjordânia, deixando-as a seco.

A Mekorot é um parceiro orgulhoso do plano “Negev Blueprint” do Jewish National Found, que verá 40.000 beduínos palestinos cidadãos de Israel expulsos de suas casas e levados para reservas e a sua terra utilizada para um colonato exclusivo de judeus no Negev.

5. A Mekorot exporta o seu apartheid da água beneficiando da privatização da água:

O sindicato do sector público da Argentina ATE declarou durante a sua campanha que “se o contrato for concedido à Mekorot, a água será classificada como um bem de luxo e não como um recurso vital que é um direito social e, em segundo lugar, os direitos humanos serão violados ao dar-se a concessão a uma empresa que apoia o genocídio palestino”.

6. A pretendida competência da Mekorot em matéria de água é mero ‘bluewashing’:

A construção de mitos sobre a água tem como intenção reforçar a imagem de Israel no estrangeiro. Ao contrário do que a empresa afirma, Israel não fez “florir” o deserto. A região da Palestina histórica é rica em água e os palestinos têm uma tradição de agricultura de vários séculos. Israel explorou este mito para justificar o desvio das águas do rio Jordão, transformando o histórico rio numa cova de esgoto, e para justificar a agressão aos países vizinhos. A realidade é que Israel é um desperdiçador de água. Os seus cidadãos consomem o dobro de água da média europeia e o seu sector agrícola é ecologicamente insustentável, com agricultores subsidiados pelo governo a fazerem culturas de alto consumo de água.

Junte-se à Primeira Semana Internacional de Acção contra a Mekorot, entre os dias 22 de março 2014, dia mundial da água, e 30 de março 2014, quando os palestinos assinalam o dia da terra. Tome posição pela justiça no acesso à água!